• Karolina Vieira

Esperar o "tempo de cada criança" pode atrasar diagnóstico e tratamentos

Atualizado: Jun 25

Especialista em intervenções precoces e atuando com crianças autistas há mais de dez anos, Daniella Brom afirma que atrasos nos marcos do desenvolvimento infantil são sinais de alerta


As opções de testes e avaliações clínicos para diagnosticar atrasos de fala e linguagem, síndromes e casos de crianças com o Transtorno do Espectro Autista evoluíram muito nos últimos anos, mas ainda encontram no senso comum e nas crenças populares seus maiores obstáculos. A ideia de que “cada criança tem seu tempo”, por exemplo, pode atrasar a busca da família por ajuda e diminuir as opções de intervenções e tratamentos precoces para as crianças.


Segundo a fonoaudióloga e diretora da FonoBabyKids, Daniella de Pádua Sales Brom, é preciso ter cuidado com essas crenças porque às vezes podem contribuir para que os pais neguem a realidade e isso pode prejudicar o diagnóstico e tratamento de condições atípicas. “Dizer que cada criança tem seu tempo pode acabar sendo uma justificativa dos pais e familiares para não enxergar enfrentar as adversidades. E isso não é por maldade, mas por falta de conhecimento ou pelo desejo de esperar para ver a criança se desenvolver como outras. Porém, é preciso ter cuidado porque negligenciar os sinais pode prejudicar a criança”, explica Daniella Brom.


Marcos do Desenvolvimento Infantil

  • Até os quatro meses é esperado mexer os olhos em todas as direções, sorrir para as pessoas, alcançar brinquedos, sustentar a cabeça, empurrar as perninhas e imitar sons;

  • Até os seis meses, o bebê rola nas duas direções, reconhece familiares, responde com sons ao que ouve, tenta pegar objetivos, começa a se sentar sem apoio e ri ou grita;

  • A partir dos nove meses, começa o apego com familiares, entende o “não”, balbucia palavras “mama” e “papa”, faz movimento de pinça com os dedos e se senta sem suporte;

  • Com 12 meses, o bebê responde comandos simples de voz, tenta reproduzir palavras, copia gestos, fica de pé apoiado, tem coisas e pessoas favoritas e pode dar passos;

  • Aos 18 meses, ele entrega objetos às pessoas, fala palavras simples, acena a cabeça para “sim” e “não”, aponta para partes do corpo e anda sozinho;

  • Ao completar 24 meses, a criança é capaz de imitar os outros, gosta de brincar com outras crianças, conhece nome de familiares e objetos, fala frases de duas a quatro palavras, já aprende consegue chutar uma bola e começa a correr e entender cores e formas.

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